Mauro Neres, Advogado

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Comentário · há 11 anos
Belo texto, mas discordo parcialmente. A Bíblia também cita expressamente a ideologia e apoio à escravidão. Há inúmeros trechos que cita claramente , e mais, cita regras claras de como lidar com tais escravos (ex. Êxodo 21) . Mesmo havendo inúmeros trechos que "legalizam a escravidão" não vemos pastores usarem muito esses argumentos. Engraçado que a ideia central de liberdade de crença não pode ser misturada com preconceitos disfarçados. Sabemos que há no Antigo testamento várias passagens que o próprio tempo foi responsável em mudar. Os avanços sociais não podem ser tolidos com ideias e propagação de ideologias de 5000 anos atrás. Desde 1888 nossa sociedade não aceita mais a escravidão como "aceitável" e seus resquícios (intolerância e preconceito contra negros por exemplo) são combatidos até os dias atuais através de leis que as proíbem tais condutas (como a Lei 7.716/89). Curioso é ver que demorou só "100 anos" para que uma lei contra o preconceito racial fosse criada. Sabido era esse preconceito na sociedade que "findou" somente quando criminalizaram tal conduta. Logo, aceitar como tolerável a discriminação contra escravos, ou aceitar tais condições em virtude de pretexto de "ideologia religiosa" fere o bom senso como fere a Lei. Logo, discordo nesse argumento, realmente há trechos bíblicos que se refere aos homossexuais, que são textos de uma sociedade de mais de 5 mil anos atrás. Como há também trechos horríveis (filhas engravidando e seduzindo pais; morte de crianças, genocídio, etc). Veja que grande parte da população se diz "cristãos", logo, acreditam nas ideias e ideologias de cristo, na qual, sua primazia era "amai uns aos outros como eu vos amei". Essa ideologia passa longe de certos "lideres religiosos" que emperram no congressos projetos de Lei como a PL 122/06). Nesse passo, o texto do colega que diz que "jesus seria gay" (que por questão também o li) relata que o Jesus bíblico sempre foi o marginalizado, pobre, defendendo as minorias e o próprio povo o matou. Entendi a ideia que ele quis passar, relacionando jesus à minoria daquela época numa visão atual (por isso ele cita que Jesus seria transsexual mulher e negra), ou seja, Jesus seria a minoria dentro da minoria e a sociedade o menosprezaria. Para concluir, não podemos aceitar que a "palavra de Deus" seja usada para o preconceito e a intolerância. Por mais que transvestida de "ideologia religiosa", não é uma "carta branca" para promover a discriminação e o preconceito. Afinal, se fosse seguir essa lógica sua apresentada no texto, de certo modo defendendo a discriminação, haveria a possibilidade de discriminar negros, pobres, mulheres...sobre o pretexto de "ideologia religiosa".
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